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O Pensamento de MacIntyre acerca da falta de objetividade das normas morais na conteporaneidade

Segundo MacIntyre a teoria emotivista é utilzada como fundamento da moral contemporânea e por isto existe intermináveis debates sobre a objetividade e autoridade das normas morais. 
Isto seria o resultado do fracasso de dois projetos que tentaram justificar a norma moral, pois estas estariam privadas de seu antigo caráter teleológico e do seu ainda mais antigo caráter categórico como expressões de uma lei divina. Este dois projetos são resultantes de uma pressão para o desenvolvimento de uma teoria que justificasse as normas morais dando a elas um novo status categórico. Estes projetos são:
a) O primeiro projeto que se propõe a justificar as normas morais é aquele que, segundo MacIntyre, empresta sua importância para o Utilitarismo.
 Inicialmente, para o utilitarismo, a finalidade da ação humana seria a busca do prazer que poderia, no caso, ser identificada como a busca da felicidade. Haveria uma necessária coincidência entre a felicidade individual e a felicidade de todos.
Para Bentham, considerados por muitos como o pai do utilitarismo, quando o individuo age em busca de sua felicidade ele também age buscando a felicidade de todos os indivíduos. Esta era, portanto, uma justificativa para a ação moral. No entanto, conforme Mil, que também era utilitarista, existem categorias distintas de prazer, pois  constatou a existência de prazeres “mais altos” e prazeres “mais baixos”, trazendo a idéia de que não existe uma uniformidade para o conceito da busca do prazer ou uniformidade do que é prazer. Ora, esta seria uma a critica que trazia um caráter poliforme do prazer, possibilitando a verificação de uma heterogeneidade da moral utilitarista.
Outra critica seria a que a aceitação da moral utilitarista deveria ser inquestionável fazendo com que existissem declarações cuja veracidade não se podia oferecer razões adicionais. Estas declarações foram denominadas como intuições, base para o intuicionismo, ponte para o emotivismo, que seria, portanto, corrente dominante no século XX.
b) O segundo projeto que se propôs a justificar as normas morais foi aquele implantado pelos seguidores da teoria da razão prática kantiana. Estes são também denominados como analíticos, que estavam preocupados com questões sobre significado, portanto, tentando chegar a conclusões validadas, por meio de premissas, rejeitaram a justificativa do projeto anterior. Segundo MacIntyre, este projeto fracassa em razão de que não haveria a possibilidade de universalização necessária , como afirmado pelos kantianos, das declarações acerca da existência de Direito Naturais.
MacIntyre explicita que a experiência moral tem um caráter paradoxal, pois admite a coexistência do agente moral autônomo, com o agente moral que se empenha em modalidades de costumes e se envolve em relacionamento manipuladores com o próximo. Quando se verifica esta ambigüidade e consequentemente, o fracasso na tentativa de justificar o agente moral autônomo, MacIntyre diz poder se perceber pelo menos três conceitos que explicitam o esquema moral da modernidade quais são: o direito (natural), o protesto e o desmascarar.
O direito natural para Macintyre seria uma ficcção com propriedades bem especificas que cumpririam uma finalidade qualquer de benefício a um grupo qualquer. O protesto evidencia a modernidade, colocaria em posições antagônicas o direito de uns e a utilidade de outros, e mesmo que eficaz, jamais possibilitaria o diálogo entre os envolvidos em antagônicas situações. O desmascarar demonstra a possibilidade de ser desmascarado a vontade e desejo arbitrários, que se valem de alguma teoria ou sistema, a fim de favorecer determinada classe interessada e beneficiada.
Portanto, MacIntyre argumenta que o emotivismo fundamenta grande parte do discurso e métodos morais da modernidade o que de fato, contribui para a interminabilidade do debate moral e a impossibilidade de justificar racionalmente as regras morais contemporâneas.

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