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A modernidade: imposição, padronização e segregação

    Ontem, na Pós Graduação da PUC/MG, na aula do Zé Luiz Quadros (Teoria dos Direitos Fundamentais), foram abordadas duas característica
s marcantes da modernidade: a concepção de linearidade da história e a rejeição dos desiguais. Fiquei ao mesmo tempo intrigado e chocado com estas duas características. 
    Segundo o professor, os europeus, a partir do final do seculo XV, acreditavam que as diferentes culturas dos diferentes povos foram se desenvolvendo com o passar do tempo. No entanto, para eles, o ápice do desenvolvimento cultural da humanidade culminou com o desenvolvimento da cultura européia, a qual estava sendo desenvolvida baseada no humanismo e no renascimento.  
    Importante destacar que o ano de 1492 marca simbolicamente o início da modernidade. Neste ano aconteceram dois eventos importantíssimos: a invasão de Colombo ao continente americano e a expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica. 
      A invasão de Colombo simboliza o início da dominação e imposição da cultura européia às demais civilizações, já a expulsão dos muçulmanos simboliza a intolerância e a segregação daquele que é considerado diferente.
       Portanto, é perceptível que desde então vivemos em uma cultura eurocêntrica de padronização da cultura européia e de intolerância com o  diferente. Temos como exemplo a imposição de padrões de beleza, de comportamento, de consumo, de estilo de vida, de moda e de religião europeus. A musica pop, o Estado, a economia, a industria, a arte e a filosofia são padrões impostos através de mídia, de lei, de guerra etc., por todo ocidente e por grande parte do oriente também. 
    Ora, o bullyng, à segregação racial, à ascensão do nazismo, do fascismo e à aversão ao estrangeiro demonstra a atual cultura de padronização e demonização do diferente que nós é apresentada e é por nós assimilada, infelizmente, de forma natural. 

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